Pronunciamento Roberto Balestra (31/05/2017)

1 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadãos que nos acompanham pela TV e Rádio Câmara. Desde 2014 estamos assistindo a deterioração da nossa economia, do emprego e da renda dos brasileiros. Esse é um processo que seria desastroso em qualquer tempo, mas que se torna ainda pior por ter nos atacado pouco depois de anos de bonança, em que as condições de vida das pessoas melhoraram muito, embora possamos discutir em que alicerces frágeis se baseou essa melhora.

Pois bem: sabemos que as escolhas equivocadas no âmbito econômico e o desequilíbrio fiscal foram determinantes para que chegássemos a esta situação de caos, mas não podemos deixar de considerar que a instabilidade política é um dos fatores que também impacta o quadro geral, gerando desconfiança de investidores, empresários e freando o consumo das famílias, que é um fator importante em um país populoso como o nosso.

Vivemos essa instabilidade política já desde o início da crise, quando a ex-presidente perdeu o apoio popular, a base de sustentação no congresso e – por consequência – todas as condições de governar. Sofremos muito com incertezas até que o impeachment se consolidou. Com a mudança de governo, experimentamos um momento inicial de otimismo, embora a crise tenha se mostrado muito mais séria. No entanto, tivemos indicadores positivos já em pouco tempo, como a queda da inflação e do dólar. Com a expectativa por reformas estruturantes já estávamos acompanhando um otimismo maior do mercado e uma melhora, ainda que tímida, na geração de emprego.

Nos últimos dias, no entanto, a divulgação de gravações feitas por um empresário colocaram novamente em xeque a nossa estabilidade política e puseram dúvidas sobre a capacidade do atual presidente de se manter no cargo e tocar as reformas, embora, repito, muitas medidas importantes estivessem sendo tomadas por ele e tendo apoio maciço do Congresso.

A conclusão a que chegamos agora é de que não podemos nos submeter novamente aos reflexos da instabilidade política, sobretudo no momento em que o componente econômico da crise começa a dar sinais de melhora. Se o presidente não conseguir demonstrar, com rapidez, que tem condições de manter o seu apoio político e se desvencilhar das acusações que pesam contra ele, a sociedade e o mercado vão cobrar imediatamente uma alternativa legal, que possibilite ao país não sair novamente dos trilhos, e o Congresso será chamado novamente a procurar por essa saída e se posicionar, assim como o Poder Judiciário, se esse for o caso.

O fato é que, como a grande pauta do momento, não podemos deixar de acompanhar de forma atenta os desdobramentos e reflexos das novas denúncias que estão sendo reveladas. É isso que tenho feito e conclamo todos os colegas a fazer. Temos a responsabilidade de ouvir todos os lados, de observar a sustentação das denúncias que são apresentadas e de discutir de que forma isso tende a impactar o nosso momento de recuperação. É o mínimo que a sociedade espera de nós.

Sr. Presidente, peço a V. Exa. a divulgação do meu pronunciamento nos meios de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil.

Muito obrigado.

Ainda no h comentrios

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